sexta-feira, 10 de fevereiro de 2012

 (DES) GOVERNOS

Nos últimos 70 ou 80 anos, as governações em Portugal mantêm-se com base em esquemas semelhantes, sendo o mais vulgar aquele que assenta em três vertentes. Por vezes fica a impressão de que a forma de fazer politica evoluiu ao longo do tempo, mas não, apenas se tornou mais complexa.

Vejamos: a ditadura escudava-se em três pilares: Deus, Pátria, Família. (Troika nacional do tipo caseiro). Actualmente os governantes apoiam-se noutros três: FMI, BCE, CE (Troika estrangeira com siglas confusas para o povo e de origem duvidosa, que circula em carros com vidros escuros e que quando vão a reuniões entram e saem à pressa, como se fossem criminosos da máfia a entrar e a sair dos tribunais, para ninguém lhes ver a cara e assim poderem continuar a praticar maldades variadas e rentáveis).

Como se pode ver, a descrição dos intervenientes é muito mais difícil agora do que antes, porque Deus, Pátria e Família, são entidades mais fáceis de interpretar, apesar de muitas vezes não sabermos onde está Deus, sermos maltratados pela Pátria e não conhecermos bem a Família.

Alguma dificuldade de compreensão que possa existir, não é nada, comparada com esses três adamastores que são o Fundo Monetário Internacional, o Banco Central Europeu e a Comissão Europeia, que são designações que assustam só de ouvir, porque parecem entidades com rituais secretos.

Nos descobrimentos, só tivemos que enfrentar um adamastor, mas agora são três, parece mais um Triângulo das Bermudas do que um Cabo das Tormentas. Isto é com certeza o tridente do adamastor em forma de Troika, a vingar-se daquela derrota por não sei quantos a zero que os Portugueses lhe infligiram há quinhentos anos atrás na passagem do Atlântico para o Indico. Ficou-lhe na memória a imagem lusa, e agora na melhor oportunidade, tomem lá esta e agasalhem-se, que vem aí mau tempo.

Ora, o Salazar não se escondia das pessoas, não mudava de carro, usava uns fatitos baratos e não tinha cartões de crédito para despesas extra, mas em contrapartida tinha um mau feitio desgraçado e não gostava nada, mas mesmo, mesmo nada, de ser contrariado. Felizmente já foi.

Estes tipos agora andam mais bem vestidos e fingem-se nossos amigos, usam carros topo de gama ( no sentido de gamar...) e ganham à hora o que nós não gastamos num mês de supermercado, mas há um factor comum entre aquele passado que referi e este presente (que é envenenado): Eles é que sabem o que é melhor para nós e nós temos que fazer o que eles dizem.

Uma coisa é certa: a receita é a mesma das últimas décadas, traduzindo, dizem que nos salvam da fome, mas de seguida vão-nos dando murros no estômago para perdermos o apetite. Está bem visto. Ninguém come muito com dores no estômago, logo poupa-se. Agora sim, com esta análise histórica já se consegue perceber melhor o que significa austeridade.

Nas próximas eleições para governos e presidências em Portugal, vou votar à Alemanha (ou então a França), já que é por lá que tudo se decide. Talvez assim eu consiga influenciar um bocadinho os nossos destinos.

Por cá, Deus está em estado de choque, a Pátria é uma mesa de matraquilhos e a Família está em histeria colectiva. Obrigado a todos.
                                                                                                                                                     
C.Cruz

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