domingo, 26 de fevereiro de 2012




ENOLOGIA

A enologia, ao contrário do que muitos pensam, não é a ciência que estuda o efeito do famoso "Eno" no comportamento dos órgãos internos humanos ligados ao processo da digestão, mas sim uma ciência ligada ao estudo dos vinhos, sendo em simultâneo uma das coisas mais esquisitas que um ignorante de vinhos pode imaginar. Isto, presumindo que um ignorante de vinhos é uma pessoa normal, que quando bebe um vinho, ou gosta, ou não gosta.

Deve ser uma actividade estranha, a enologia, porque quem a representa, o enólogo, ao analisar um vinho tem uma série de rituais, compostos por passar o copo pelo nariz, provar sem beber (?), gargarejar e muito mais, tudo isto com o mesmo ar de concentração de quem está a fazer acupunctura a um mosquito da banana. Analisa o aroma, o paladar, a temperatura, a cor, a menina que encheu o copo, e por fim, dá um veredicto.

É uma coisa espectacular e que já deve nascer com as pessoas. Têm o olfacto e o paladar tão apurados que podiam estar num aeroporto qualquer a detectar drogas e a rirem no focinho dos pastores alemães da polícia, que comparados com os enólogos, são autênticos aprendizes de feiticeiro.

De qualquer maneira, deve ser muito triste para um enólogo, depois de tantas horas à volta dum vinho, a tentar perceber a sua origem e comportamento, saber que irão haver desavergonhados que beberão esse mesmo vinho. Um liquido tão precioso, e vem um sequioso qualquer e enfia com três copos de rajada e comenta que não estava mau, que ainda entrava mais um...

É de loucos, mas é verdade, quando se vê um enólogo analisar um vinho com tanto cuidado, atenção e carinho, só comparáveis a uma dança de acasalamento entre aves exóticas, fica-se com a impressão que aquele liquido que está ali é sagrado, não devia ser bebido, devia ser encaixilhado e guardado com uma rede electrificada à volta, para que só os entendidos lá pudessem ir provar, sem beber, claro.

Tal como nós, as uvas não sabem para o que nascem, mas depois de as tirarem das videiras, esmagam-nas separam-lhes o corpo em partes, deixam-nas fermentar e sei lá que mais, e quando as pobres das uvas atingem o estado liquido, vem o enólogo, mete-as na boca, fica a olhar para o ar à procura de inspiração e cospe-as!!! Sinceramente, isto não se faz. É de uma má educação à prova de bala, e custa-me ver, porque não fui educado assim.
Cá para mim esses senhores não gostam de vinho, o que eles querem é dar a entender que são especiais e que percebem de um assunto vedado ao mortal comum. Nós, os ignorantes de vinhos, também percebemos algumas coisas. Quase todos sabemos distinguir entre brancos e tintos, alguns entre maduros e verdes, sendo que, frescos, nem se sentem a desaparecer. Se calhar, não somos ignorantes, temos é um espírito prático mais evidente.

É tudo, fiquem atentos às campanhas de prevenção e segurança promovidas pelos enólogos baseadas no tema "Se apreciar, não beba", e entornem qualquer coisinha que vos saiba bem, mas com moderação, não tentem levar copos à boca com os dois braços ao mesmo tempo. Dizem que dá azar.
                                                                                                                                                     
C.Cruz.

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