sexta-feira, 10 de fevereiro de 2012



PENSO, LOGO EXISTO

Penso, logo existo: esta frase do filósofo Descartes, que desde logo nos faz pensar na existência, pode, na tentativa da sua compreensão, deslocar-se para um terreno duvidoso tipo, penso porque existo ou penso que existo porque penso? Isto dá que pensar.

Seja como for, nem sempre gerimos bem este facto de existir e pensar ao mesmo tempo, que é uma tarefa que dá trabalho e que provoca situações contraditórias, ou seja, às vezes pensamos tanto, que praticamente nos esquecemos de existir e outras existimos sem darmos conta que pensamos.
De qualquer modo, o que mais me agrada neste tema, são as inúmeras variantes. Vou só citar algumas mais conhecidas e outras que não lembram a ninguém:

- O persistente: Penso, logo insisto;
- O preguiçoso: Penso, logo desisto;
- O jogador de sueca: Penso, logo assisto;
- O cidadão que analisa o comportamento dos seus governantes: Penso, logo "o que é isto?"
Ainda as que não rimam como:
- O enfermeiro: Penso, logo rápido;
- O amnésico: Penso, logo esqueço.
Uma muito boa, na minha opinião é a do indeciso: Penso, logo... eh pá, deixa lá ver... tenho que pensar melhor... talvez se...
Muitas mais haverão, mas para terminar a lista, assim como quem chuta para golo, deixo aqui a postura do despreocupado, que é uma versão mais do género: Penso mais logo.

Está visto que esta coisa de existir é muito complexa para quem pensa, e não existem receitas mágicas para resolver esse problema, já que está provado que dentro de cada cabeça está uma existência ímpar.
 
A partir daqui, tenho uma teoria, que é a seguinte: o ideal é pensar à mesma velocidade da existência. Quando assim não acontece, esse desequilíbrio pode adormecer o presente, se o pensamento estiver aquém, ou atropelá-lo se estiver além. Sim, porque o passado já foi pensado noutra existência e o futuro só existe no pensamento... ou então pensem o que quiserem, que eu vou tomar um comprimido para dormir.

C.Cruz.

Nenhum comentário:

Postar um comentário