terça-feira, 6 de março de 2012





TRABALHO

A propósito da ideia feita de que o trabalho dá saúde, tenho que dizer que, está estatisticamente provado que morrem mais pessoas em acidentes de trabalho, do que em acidentes de descanso, ou seja, o trabalho é muito mais perigoso do que o descanso.

Toda a gente sabe que, qualquer operário que toma um martini com cerveja antes do almoço, bebe uma jarra de tinto do Cartaxo enquanto digere as febras de cebolada e termina com dois bagaços depois do café, quando chega à obra vê duas pranchas no andaime, e se puser um pé na prancha que existe e o outro na que não existe, acontece o inevitável, desafia a lei da gravidade e acidenta-se com gravidade (são gravidades diferentes, mas interligam-se de forma grave).

Exemplos como este, acontecem todos os dias para provar que, existe um lapso sempre que se diz que o trabalho dignifica o homem, porque na realidade o que acontece, é que o trabalho danifica o homem. Olhando para este assunto ainda com mais clareza, quando um tipo está a descansar, que mal é que lhe pode acontecer? Entrar-lhe um camião pela casa quando estiver no sofá e entalá-lo entre o jarrão da loja do chinês e o frigorífico? Estar a dormir e a sogra dar-lhe com um tacho de alumínio de 15lt. na moleirinha, para se vingar por ele não a ter levado quando foi de férias para o campismo? Ou cair-lhe um meteorito no quintal e matá-lo atascado em couves e penas de galinha? Não é muito provável.

Devíamos dar mais atenção à sabedoria do povo, que num dos seus ditados populares, refere que "dormir é meio sustento". Já que o povo costuma ter razão e o descanso proporciona 50% do nosso sustento, podíamos alterar radicalmente a mentalidade escrava que nos persegue, começando por reduzir de imediato o trabalho para metade.

Pois é, ninguém pensa na lógica destas coisas e depois acha-se estranho que a população morra antes da reforma, que é aquela etapa da vida em que se pode descansar cheio de mazelas.

Fazendo um paralelismo com as campanhas anti-tabágicas, aos anúncios de emprego deveriam ser  associadas frases de alerta e sensibilização do género "Trabalhar mata" ou "Poupe os seus pulmões, não grite à procura de trabalho", ou ainda, " O governo adverte que a prática do trabalho obriga ao pagamento de impostos".

Por vezes, ao vermos alguém que trabalha muito, dizemos "aquele tipo mata-se a trabalhar". Quando isso acontece, é a nossa natureza mais profunda a lembrar-nos que, se o homem tivesse nascido para trabalhar, não precisava de ser mais inteligente do que os outros animais, que sobrevivem perfeitamente com o que aproveitam dos recursos naturais do meio onde vivem. E agora chega, que já estou a ficar cansado...  
                                                                                                                                                     
C.Cruz.

sábado, 3 de março de 2012



DEUSES

Eu acredito que existem muitos Deuses e que esse é o verdadeiro motivo que explica a enorme variedade de formas de vida. Eles não se entenderam quanto à construção do mundo, começaram a inventar coisas cada um para o seu lado, e deu no que deu...

No entanto, tal como acontece actualmente com as petrolíferas, não se desentenderam totalmente, e à socapa, criaram um plano muito simples para permanecerem sempre na mó de cima, criando em conjunto duas coisas de interesse comum:

A primeira, foi o ser humano, que é um bicho incaracterístico e violento. Puseram-nos todos à porrada, e Eles, os Deuses,  lá em cima, sempre eternos, a disfarçar com mensagens "Vá lá, sejam bonzinhos, mas atenção aos maus, que eles andam por aí e são de outra religião" ou "Partilhem o mundo em paz, mas desconfiem de quem não pensa como vós e lutem contra eles".

Se calhar os Deuses foram passando estas mensagens enquanto piscavam os olhos uns aos outros. Alguns políticos, que têm a ambição de substituir os Deuses, aprenderam com Eles e utilizam o mesmo método: dividir para reinar.
 
A segunda coisa que os Deuses criaram juntos, só para conforto dos seus próprios egos, foi os cachos de bananas. Se repararem bem, as bananas em cacho (não sei porquê, mas esta combinação de palavras, soa-me de forma perversa), representam as três principais formas de adoração: Estão todas dependuradas no vazio e agarradas a algo em comum, vivem todas em rebanho e estão todas a apontar para o céu.

Como nada é perfeito, os Deuses são superiormente inteligentes, mas um bocadinho distraídos e por isso não se lembraram que também tinham inventado os macacos...
Vá lá, não sejam bananas, que os macacos andam por aí, e não têm religião...
                                                                                                                                                     
C.Cruz.