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LOUVA-A-DEUS

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  Numa tarde de descanso, daquelas em que estou no sofá, com a televisão ligada e a tentar ver documentários sem ouvir, porque estou no pico de uma daquelas moléstias arrasadoras, que permitem que um fio de baba quase chegue ao chão, acontece o inevitável: Zune-me nas orelhas a campainha de casa. Fico momentaneamente meio aturdido e a pensar no que será, "chuva não é certamente", mas vai-me calhar gente... certamente. Instala-se o pânico das hipóteses: É um familiar com assuntos de família. Não, é uma vendedora que me vem dizer, que tem o melhor pacote do mercado… de telecomunicações. Não, é um vizinho que não me cumprimenta, mas que precisa dum alicate. Não, não é o Super Homem. Levanto-me para ver quem é, abro a porta e eis que surge a realidade vestida da hipótese mais provável, mas que eu, esgazeado de sono e com o cérebro feito numa uva passa, nem sequer vislumbrei: Duas almas de fato e gravata. Pensei que eram homens de negro e me tinham confundido com um extraterrestre...

UM

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  A importância no número um na nossa vida, está presente em tudo. Nascemos em forma de um e morremos da mesma forma. A vida onde vivemos, é só uma, num planeta que é só um, pertencente a um sistema solar, encaixado numa galáxia, que por sua vez está integrada num universo, que mesmo sendo muito vasto e variado, é supostamente só um. Somos todos únicos, apesar de interligados. A humanidade é só uma. A forma de escapar a isto, também é só uma: Não existir. Mas essa parte não dominámos. Ora, já que existimos, proponho humildemente, algo que, embora pareça utópico, daria muito jeito: Praticarmos a nossa existência única, num quadro de interligação com os outros uns, no plano humano, animal e ambiental. Cá está, sem anestesia. Sim, não esqueçamos que os animais, tal como nós e pelo simples facto de terem nascido, também estão sujeitos à mesma condição de serem únicos, na existência que lhes foi proporcionada pela natureza. Quanto ao ambiente, ainda que com variantes e personalidades mú...

PANDEMÁTICA

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                                                              As pandemias têm ciclos de aparecimento e os matemáticos explicam isso muito bem, por um motivo muito simples: Já aconteceram e há sempre uma fórmula capaz de evidenciar com exatidão o porquê desse aparecimento, naquele preciso momento. Fácil. Mas os matemáticos também se atrevem a traçar espaços temporais, quanto à ocorrência de eventos futuros. Eu, por mim, ficava quietinho, mas eles é que sabem. Digo isto, porque, sempre que os matemáticos falham, acabam normalmente por arranjar uma forma de dar a volta ao assunto. Alegam qualquer vetor aleatório, que se possa ter intrometido nas tangentes, fazendo com que estas se tivessem afastado, ou então, dão outra explicação qualquer, embrulhada numa tal complexidade, e em termos tão rebuscados e intan...

A VERDADE, OU NÃO

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Falar sobre a verdade, sem dizer mentiras, é praticamente impossível. A verdade raramente é só uma, tem muitas caras e assume diversas formas. Cada um, tem o seu método de se convencer de que algo é verdade: Uns vão acreditando, porque querem mesmo acreditar e isso faz-lhes falta, para que se sintam mais seguros. Outros, acham mais fácil acreditar no que aparece e quem vier a seguir que questione. Outros ainda, desistem da procura da verdade, quando ela exige muito trabalho ou coragem e acabam por adotar a verdade instituída pela generalidade da informação que recebem, mesmo que dela duvidem. Há os que tentam um equilíbrio, nada fácil, dada a natureza humana, entre a sua própria verdade e a verdade dos outros e existem ainda os que são mais obstinados e passam a vida na procura incessante da verdade. Em matéria de verdade, há para todos os gostos. Às vezes a procura pela verdade, torna-se uma paixão. A paixão tem riscos. Apaixonamo-nos pela nossa verdade, mas ...

DESASTRADOS

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Confesso que sou um bocado desastrado.  E também confesso, que digo que sou só um bocado, porque me apetece esconder uma parte da realidade. Feitios. O desastrado, é uma espécie à parte, que se situa algures entre o macaco e Deus, mas como tropeçou na cadeia da evolução, não aparece na fotografia.  Os desastrados, são seres dotados de grande resistência à dor física, porque estão habituados a que as mais diversas contrariedades esbarrem contra eles. É aqui que bate o ponto. Nós, os desastrados, nunca temos culpa do que nos acontece. O mundo é que está construído com demasiados objetos contundentes e perigosos, que, ainda por cima, não param quietos e se atravessam no nosso caminho de forma inconsciente. Atravessar espaços com muitos objetos, é para nós tão perigoso, como atravessar uma pista de carrinhos de choque num domingo de festa. Definitivamente, o mundo físico não está desenhado para nós. Os armários são demasiado baixos para as nossas cabeças e de...

O FUTURO NÃO EXISTE

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O futuro, torna-se constantemente uma preocupação para tantas pessoas, porque sendo desconhecido, pode ser assustador para quem lida mal com incertezas. Pois eu tenho uma boa notícia: esqueçam essa preocupação. Se uma certeza existe, é a de que o futuro não existe. Ele foi inventado, apenas para nos fazer perder tempo, à procura das respostas que ainda estão para vir e que ninguém sabe quais são. Eu tenho para mim, que foram as mais altas instâncias religiosas, governamentais, empresariais e outras que tais, espalhadas por todo mundo, que congeminaram no sentido de nos enfiarem com essa balela do futuro na cabeça, só para nos manterem ocupados com o tema, enquanto eles nos manipulam no presente e empurram para tempos futuros, a resolução de todos os assuntos importantes que, das duas uma: Ou já deviam ter sido resolvidos no passado, ou, no mínimo, podiam e deviam começar a ser tratados no presente. Hoje, é o dia ideal, para fazer acontecer o que estiver ao nosso alcance. ...

DESCOBRIMENTOS

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Q uando os portugueses partiram para os descobrimentos, é óbvio que não sabiam o que iriam encontrar. Mas mais complicada ficou a situação do resto do mundo, que foi encontrado sem pedir, e que veio a descobrir que tinha sido descoberto... pelos portugueses!!! Custou foi começar, mas desatamos a navegar e foi um tal descobrir terras longínquas cheias de oportunidades. O jeito que isso dava agora... Isto foi mais ou menos assim: Chegávamos a uma terra longínqua e... "descobri-te... estavas aí escondida, não é? Mas nós estamos a ver-te". E assim sucessivamente, por tudo quanto era sitio. E os povos, que viviam nessas terras, descobriram que nós, os portugueses, os tínhamos inventado ali naquela hora e  ficaram maravilhados, porque pensavam que já existiam, mas não. Nós é que os descobrimos.  E não foi nada fácil, porque os GPS dessa época eram intuitivos... ia-se para onde a intuição nos levasse e depois via-se. No início, os descobridores oriundos...