sexta-feira, 25 de outubro de 2013




A VERDADE, OU NÃO

Falar sobre a verdade sem dizer mentiras, é praticamente impossível. A verdade raramente é só uma, tem muitas caras e assume diversas formas.

Cada um tem o seu método de se convencer de que algo é verdade:
Uns vão acreditando porque querem mesmo acreditar e isso faz-lhes falta para que se sintam mais seguros.
Outros acham mais fácil acreditar no que aparece e quem vier a seguir que questione.
Outros ainda, desistem da procura da verdade quando ela exige muito trabalho ou coragem e acabam por adotar a verdade instituída pela generalidade da informação que recebem, mesmo que dela duvidem.
Há os que tentam um equilíbrio, nada fácil dada a natureza humana, entre a sua própria verdade e a verdade dos outros e existem ainda os que são mais obstinados e passam a vida na procura incessante da verdade.
Em matéria de verdade, há para todos os gostos.

Às vezes a procura pela verdade torna-se uma paixão. A paixão tem riscos. Apaixonamo-nos pela nossa verdade, mas como a paixão é uma fusão em cadeia, numa cadeia de confusão, a verdade nesses momentos, pode ser intensa, mas não ser clara, ser apenas um êxtase do ego, ser a vontade inconsciente de ter razão para além da razão. Mas a paixão é intemporal, necessária e torna a verdade muito mais viva, mesmo que seja mentira. Apesar dos riscos, vale sempre a pena aceitar esse desafio, porque também pode acontecer que a verdade se revele nessa forma de a procurar.

Na verdade (isto é apenas força de expressão), a verdade é apenas uma extensão de nós próprios. O resumo das conclusões que tiramos através dos sentidos e experiências, fornece-nos a nossa verdade. Nós não somos detentores de qualquer verdade que vá para além do nosso espaço de existência, somos apenas donos da nossa verdade. Como não existem dois seres iguais, muitas verdades podem ser frequentemente assumidas de forma consensual por muita gente, mas nunca são iguais para todos.

Fatos são fatos, cada um de nós olha para eles à sua maneira e habitualmente não notamos o efeito que o tempo provoca nas verdades que construímos com esses fatos. Parece-nos, em algumas situações, que a verdade se transforma em mentira ao longo do tempo, mas não, quem muda ao longo do tempo somos nós. Somos nós que alteramos a nossa visão dos fatos. Sendo assim, o que separa a verdade da mentira, não são os fatos, somos nós.

Devemos estar atentos às segundas intenções daquilo que a nossa mente descarrega. O nosso eu, joga com a verdade e a mentira com a habilidade do melhor jogador de poker. Agarra naquilo em que nos transformamos durante a vida e empurra-nos de forma inconsciente, para tentar tornar verdade ou mentira determinada informação, conforme o grau de conforto interior que essa decisão nos vai proporcionar. Conseguimos interpretar informação, mas temos dificuldade em purificá-la. É uma tendência natural.
Contrariar essa tendência, é fugir à verdade do que somos, ou à verdade do que observamos? Ou será correr para os braços de outra verdade? É difícil responder com verdade.

Acreditam no que sentem? Então, boa ou má, essa é a vossa verdade. E eu espero não estar a mentir.
Se não encontrarem a verdade, não há motivo para preocupação. Ela é uma dissimulada incorrigível.
Não se nasce para encontrar a verdade, mas sim para a procurar.

C.Cruz.

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